Sistema operacional: e eu com isso?

Elis Monteiro
Poste: 
Jornalista especializadaem tecnologia e telecomunicações
Sistema operacional: e eu com isso?
Elis Monteiro
Como quase todos os geeks do planeta, estou lendo a biografia de Steve Jobs escrita por Walter Issacson (Cia das Letras) e, confesso, tenho intercalado momentos de asco absoluto pela pessoa desprezível e de fascinação arrebatada pela incrível genialidade daquele ser. Genialidade esta que, diga-se, é a responsável inconteste por muitas das revoluções que transformaram a cara deste mercado de tecnologia, que fica cada vez mais efervescente. Mas esta não é, como pode estar parecendo, uma coluna sobre Steve Jobs, mesmo porque muitas foram escritas. É uma coluna sobre uma das lições que ficaram do trabalho de Jobs – o que importa de verdade, quando se trata de tecnologia e gadgets, é a experiência do usuário.
Simples assim: é para ele que os produtos, sejam software ou hardware, devem ser criados. É para eles que os equipamentos precisam ser melhorados. E tal constatação faz todo sentido no momento em que Google e Apple se digladiam por fatias do mercado de smartphones. Android x iOS é a discussão onipresente em fóruns de discussão e reportagens do segmento, mais ou menos como se dava com amantes de Linux versus usuários de Windows. Mas cá entre nós... o sistema operacional importa mesmo?
É uma discussão necessária. Dia desses, um leitor me mandou um e-mail pedindo ajuda – queria comprar um Android porque tinha ouvido falar que o sistema é muito melhor que o da Apple e, claro, que o da Nokia (ainda com Symbian, antes de adotar o Windows Phone). Não sabia que aplicação era a mais importante para ele, mas tinha certeza de que o iPhone não prestava para ele porque... é difícil. É claro que para quem conhece os sistemas mais usados no mercado hoje (são eles o Android, o iOS, o Symbian e o Windows Phone, além do sistema próprio da Blackberry) tal afirmação beiraria à insanidade, uma vez que o sistema do iPhone é tão, mas tão simples que qualquer criança com dois anos é capaz de dominar, e bem, o manuseio das telas, a abertura de pastas dentro da área de trabalho, o touchscreen e sobretudo o multitouching (posso fazer tal afirmação com propriedade, já que o meu Gui tem 3 anos e 7 meses e desde os dois usa o iPhone como se dele fosse).
A questão é que tal discussão não deveria estar polarizada entre Android x iOS ou Windows Phone, correndo por fora e com a adesão da Nokia. Quando se pensa em comprar um telefone ou um tablet, as funcionalidades importam mais que os sistemas – e estamos chegando num momento em que todos os aparelhos terão as mesmas funcionalidades – conexão com contas Google e suas centenas de produtos, softwares de localização pessoal, de redes sociais, de buscas, de streaming de vídeo, de conversa em tempo real via mensagens de texto, chat ou chamada de vídeo e por aí vai.
O mercado já criou tanta coisa – e, os usuários, as foram descobrindo - que os fabricantes precisam inserir tais funcionalidades, correndo o sério risco de terem seus produtos encalhados nas prateleiras das lojas. E no momento em que todos os modelos tiverem quase as mesmas coisas, o que vai fazer diferença é a forma de entregar o pacote para o usuário – quanto mais simples para ele, mais ele se apegará ao aparelho. E com pacote leia-se, também, integração com outros aparelhos, com outros fabricantes, com cabos e chips padronizados, dentre outros detalhes fundamentais.
Estamos falando sobre um momento nos quais tanto a Apple e seu ecossistema quanto os fabricantes que adotaram o Android (quase todos, excetuando-se, é claro, a própria Apple, a Nokia e a RIM – Blackberry) precisam lutar é por simplicidade (como tio Steve ensinou) e uma quantidade maior de aplicativos para serem oferecidos em suas lojas virtuais móveis.
Para o usuário comum, a experiência perfeita é ligar o aparelho sem dificuldades, acionar os programas com um só clique (ou toque), ter acesso aos seus contatos, sejam e-mails, endereços ou números de telefone; comunicação direta com as redes sociais; inserção simples de dados; organização pessoal (agenda, calculadora, documentos simples para leitura e visualização, dentre outros); mandar seus e-mails em paz através de contas instaladas automaticamente... A questão é que o mundo do usuário doméstico é muito mais simples e intuitivo do que muitos fabricantes querem que seja.
Acabei de receber para testes o Motorola Razr, uma bela descoberta que roda o a mais nova versão do Android, a Gingerbread. Sinceramente? Fiquei mais fascinada pela “pegada” do aparelho, pela câmera de 8 megapixels com HD e pela incrível tela de 4.3’ e menos preocupada com a versão de Android. Porque no final das contas o que vai contar para mim é a transparência das minhas ações, e isso pode me ser entregue tanto por um iPhone quanto por um Motorola.
Eu me lembro bem quando os defensores do Linux (sistema operacional de código-fonte aberto) lutavam a favor de 1) mais liberdade para os usuários e desenvolvedores mexerem no código e fazer melhorias no sistema; 2) a criação de um sistema “universal”, “do bem” e que lutaria contra os males causados pela tirania dos mega impérios, como a Microsoft e a Apple. Mas era o Windows o responsável por entregar uma experiência mais pessoal e simplificada, ainda que imperfeita. A questão é que ideologia é maravilhoso, mas na hora de trabalhar com uma aplicação, o que vai contar mais será a compatibilidade e a facilidade.
Escrevo sobre tecnologia há quinze anos. Já escrevi para públicos diversos – dos mais aguerridos defensores dos códigos e comandos de programação aos criadores de aplicativos que exigem do usuário não mais que um clique para o acesso. De dois anos para cá, a simplicidade absoluta e transparente tem se mostrado não só uma tendência, mas uma exigência. O sistema operacional deveria ser apenas um dentre os muitos outros detalhes que fazem de um aparelho o mais apropriado para João, Maria, Pedro ou Josefa. Não foi à toa que os gadgets da Apple fizeram o sucesso que fizeram – e não trazem nem manual!
Vou dar um exemplo claro do que pode fazer mais diferença do que o sistema operacional: quem é doido por games já deve ter ouvido falar (e muito) do supersucesso Angry Birds. Pois para quem usa iPhone e segue as regras do jogo direitinho (tem conta na App Store/iTunes com CEP brasileiro e não faz jailbreak, uma forma de ter acesso gratuito a todos os aplicativos das lojas de download sem pagar por eles), o game simplesmente não está disponível para ser baixado. Tudo porque a Apple não aceita as regras impostas pela legislação brasileira e a justiça daqui ainda não mostrou interesse em ajudar a acabar com o problema.
Não ter acesso a aplicativos faz diferença, mas aqui não estamos falando de um problema relativo ao sistema operacional, mas à forma como a Apple se relaciona com seus clientes. E não venham me dizer que com o Google e a Microsoft é diferente. No final das contas, não há mais cavalheiros errantes que lutam pelos direitos de uso de software. Na era de Mark Zuckerberg, todos querem dominar e não há mais aquele romantismo que manteve a resistência do Linux durar tanto tempo. Hoje em dia, Android, iOS, Blackberry, Windows Phone ou Symbian querem a mesma coisa – seus dados e seus downloads.
---
Elis Monteiro é jornalista especializada em tecnologia e telecomunicações, com 14 anos de experiência na área. Colunista da Globo.com, mantém seu blog telefoniaetc.com alinhado as novas tecnologias comunicacionais.
Elis no telefoniaetc.com
Biographie: 
Jornalista super especializada em informática, novas mídias e telecomunicações, conectada em inovações e plugada em novidades.
  • Comentar
  • Comentários [2]

Comentar

19.06.2014 | riot point gene... escreveu:

There are two cheap research types at the barracks to upgrade rangers.
And yes it has ANTI-BAN feature therefore it keeps your account truly safe, hack is virally undetectable.
Without a background in practical military affairs
or politics, his reliability in these areas is limited.

25.10.2014 | leather collar ... escreveu:

I must thank you for the efforts you've put in penning this blog.
I really hope to view the same high-grade content by you in the future as well.
In fact, your creative writing abilities has encouraged me to get my own blog now ;)