A mobilidade, pura e simples

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Elis Monteiro
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Jornalista especializadaem tecnologia e telecomunicações
Sonhamos durante tanto tempo com a mobilidade e, agora que ela chegou com força total, continuamos com dúvidas. Afinal, já vale a pena ter um modem 3G e fugir da banda larga fixa, trocando um pelo outro? Já é possível substituir um desktop (computador de mesa) por um tablet? Um smartphone pode fazer as vezes de notebook/netbook? Podemos enfim viver num mundo totalmente sem fios? Estas e outras perguntas nos assaltam vez ou outra e a boa notícia é que há respostas para todas. Algumas mais positivas; outras ainda menos, mas já podemos dizer que a mobilidade é uma realidade próxima dos meros mortais e que, hoje, só fica preso aos chatíssimos cabos quem quer.
Para quem deseja viver sem fios e com tudo o que precisa dentro de uma pasta (pequena), a notícia é ótima: dá para fazer de tudo em movimento, desde uma planilha em Excel a apresentações, passando, sim, por textos grandes. Já há no mercado um leque muito grande de opções de aparelhos que sobrevivem, e muito bem, longe dos fios. Para começo de conversa, a autonomia das baterias de notebooks, netbooks e tablets só aumenta - já é possível achar modelos simples que chegam a durar 10 horas sem carregamento. Só aqui já eliminamos um peso danado na bolsa.
Se seu notebook ou netbook ainda dura pouco tempo sem pedir “comida” você precisa dar uma “calibrada” no uso que faz dele – muitas vezes, abrimos aplicações demais, consumindo a energia do equipamento, sem que tenhamos mesmo necessidade daquilo tudo. Exemplos? O simples conectar de um mouse a um notebook já consome energia deste – assim, se você não vai usar o acessório, desconecte-o. Mais uma dica: quando não estiver precisando mesmo do micro, acione o botão de hibernar/repousar, que na maioria dos aparelhos fica disponível através de um simples botão. Outro toque simples mas que muitos não se lembrar de pôr em prática é diminuir o brilho da tela LCD, dentro das configurações de monitor. É bom pra poupar energia e também dar um relax pros olhos. Por último, assistir a vídeos, músicas e rodar aplicações pesadas também pode acabar com o sonho da bateria longeva.
Fechando o parêntese, vamos responder a uma dúvida frequente para quem está atrás de mobilidade: um notebook ou um netbook substitui bem um desktop? A resposta é SIM, e muito bem. Tanto que há anos o mercado de portáteis só faz crescer, mostrando o apelo que a mobilidade tem junto ao consumidor. Agora, a pergunta nova que tem deixado muita gente com pulga atrás da orelha: um tablet, seja iPad, Motorola Xoom ou Samsung Galaxy Tab, substitui um notebook? Para alívio de muitos, a resposta é NÃO, pelo menos não para os hard users, pessoas que precisam escrever textos maiores e não estão atrás de computadores apenas para acesso à internet. Isso não significa, no entanto, que os tablets não tenham chegado para balançar o mercado – os maiores prejudicados devem ser os netbooks. Até um tempo atrás se pensava que os netbooks dariam conta do recado da mobilidade e poderiam vir a concorrer com os notebooks. E só para complicar um pouquinho a coisa, já dá para pensar na compra de um tablet e de um teclado para este – no caso do teclado de iPad, sai por pouco mais de R$ 200 aqui no Brasil. Assim, ele imediatamente se transforma em um conjunto leve e, por isso mesmo, mais fácil de transportar.
Os tablets também chegaram oferecendo uma palavrinha que sacudiu o mercado de netbooks: APLICATIVOS. Está aí o segredo do sucesso dos tablets – tal qual já vem acontecendo com os smartphones, que expandem suas funções através do download de programetes úteis e inúteis, os tablets também oferecem a possibilidade de turbinar a quantidade de funções através de lojas de programas, como a App Store (iPad) e a Market (aparelhos que rodam Android). Esse é, com certeza, o ponto chave para uma revolução no mercado e uma tendência que só tende a crescer.
Para quem ficou empolgado com a ideia de ter um tablet – analistas preveem que só este ano 60 milhões de unidades deste tipo de equipamento serão comercializadas em todo o mundo, sendo 37,9 milhões de iPads, de acordo com a consultoria UBS – ele pode ser o começo de uma vida realmente móvel, sem as amarras dos fios e, uma vez que se conecte a redes Wi-Fi e 3G (dependendo do modelo), a banda larga fixa pode ser esquecida.
O público do tablet, no entanto, não é aquele que ainda não tem computador em casa; estes aparelhos caem como uma luva para pessoas que precisam estar sempre em movimento checando e-mails, atualizando redes sociais, organizando agenda e, claro, navegando na internet a esmo. Para quem busca opções para trabalho, a escolha mais acertada certamente será um notebook ou, em alguns casos, um netbook. Aqui abro novamente um parêntese para lembrar que há fabricantes, como é o caso da Asus, que lançaram modelos de netbooks que também são tablets, como o Transformer, lançado este ano pela Asus durante a Computex, feira internacional de gadgets. Une-se, assim, o útil ao agradável.
Escolhido o equipamento ideal – notebook, netbook ou tablet – para ser móvel de verdade é preciso conexão em movimento à internet. E aqui, não me canso de dizer: é preciso lembrar que a maior parte do que é vendido como 3G não passa de dial up disfarçado. Segundo a União Internacional das Telecomunicações (UIT), só pode ser chamada de banda larga a velocidade que for acima dos 2Mbps (megabits por segundo); a maior parte dos modems oferecidos pelas operadoras no Brasil não chega nem a 500Kbps (kilobits por segundo). Mas ok... num mundo em que nos contentamos com pelo menos o e-mail funcionando quando estamos na rua e no qual podemos acessar uma página ou outra para buscar uma informações, um chip 3G pode ajudar.
E como escolher a melhor opção de 3G? Vale a pena adquirir um chip 3G, uma plaquinha (modem), um smartphone? No melhor dos mundos, o ideal seria ter um notebook/netbook/tablet com entrada para chip 3G e um plano de acesso ilimitado. A boa notícia, aqui, é que as operadoras já oferecem planos sedutores para quem deseja se conectar à internet usando o 3G como opção. Um plano iPad por sair por até R$ 30 mensais, dependendo da operadora. E quanto à conexão do notebook? Caso não tenha a opção de entrada de chip 3G, a saída pode ser o uso de modems em formato USB e/ou a conexão com smartphones, que passam a agir como modems.
O problema é que a maioria das operadoras penaliza aqueles que usam muito o celular como modem (através do Bluetooth, normalmente), diminuindo a velocidade sensivelmente sempre que o usuário “abusa” do “pareamento”. É feio, não deveria acontecer, mas elas fazem.
Enquanto o mercado não receber o 4G – no Brasil ele deve demorar, por conta da confusão em torno da venda de licenças – estaremos reféns de uma velocidade que pode não ser aquela com a qual sonhamos. Muitas vezes o 3G não permite sequer que se assista a um vídeo do Youtube sem que seja necessário esperar minutos para que ele carregue.
Mas nem tudo é ruim neste mundo móvel. O mercado está cada vez mais veloz e os fabricantes ficam mais e mais empolgados com as possibilidades, ainda mais depois que se descobriu o talento dos aplicativos para seduzir o consumidor. Com eles, ganha o consumidor, que vê as funções de seu equipamento serem expandidas; ganha o desenvolvedor, que passa a ter um canal de distribuição do que produz; ganham os fabricantes, que passam a contar com um ecossistema quando lançam um novo gadget e, claro, ganham as operadoras, que veem seu tráfego de dados crescer a cada dia.
O admirável mundo novo da mobilidade está apenas mostrando a que veio. Daqui para a frente, a indústria estará sempre preparando surpresas para te tirar de casa. Que bom!
Biographie: 
Jornalista super especializada em informática, novas mídias e telecomunicações, conectada em inovações e plugada em novidades.
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