Foco

Brasil Digital-Parte 1: A divisão digital

A demografia do Brasil está mudando e, também, a maneira como os brasileiros ficam on-line.

Enquanto as economias dos países desenvolvidos estão estagnadas, o Brasil está passando por um impressionante período de crescimento. Em 2010, foi classificado como a sétima maior economia do mundo pelo PIB, com uma taxa de crescimento estimada em 7,5% e um destaque: internamente a riqueza está migrando dos mais ricos para os mais pobres. Tanto que, em uma das exposições mais significativas de mobilidade social do mundo, o Brasil viu 30 milhões de seus cidadãos serem retirados da pobreza para integrar a classe média.

Como uma das estrelas em ascensão dentre as economias mundiais, o Brasil viu o seu cenário socioeconômico mudar drasticamente na última década: a população da "classe C" ou classe média cresceu em mais de 30 milhões desde 2003. Isso de alguma forma equilibrou o sistema de classe social no Brasil, que anteriormente tinha uma profunda inclinação para a base, variando da classe A (aqueles com renda mensal superior a R$ 4.807 ou US$ 3.000) até a classe E (menos de R$ 804 ou US$ 500 por mês).

Esta riqueza recém-descoberta está transformando o cenário tecnológico brasileiro. Atualmente, cerca de 14 milhões de PCs são vendidos por ano no Brasil e 74 milhões de pessoas, de uma população de quase 200 milhões, são usuárias ativas da Internet. Além disso, dos 215 milhões de telefones celulares existentes no Brasil, 25 millhões trafegam sobre a rede 3G e a previsão é de que este número deverá subir para 130 milhões até 2014, segundo a Anatel, a agência de telecomunicações brasileira.

A ascensão da classe C desenhou um novo panorama no Brasil. Hoje, cerca da metade dos seus 95 milhões de membros é usuária da Internet e este número está aumentando. Em 2006, por exemplo, as classes A e B (que constituíam cerca de 5,5% da população total), detinham 65% de todos os usuários da Internet, enquanto apenas 39% pertenciam à classe C. Quatro anos depois, os números mudaram: A classe C passou a ter 42% dos usuários de Internet, enquanto que nas classes A e B a porcentagem caiu para apenas 50%. É um aumento relativamente pequeno, mas significativo.

Também há grandes diferenças na forma com que as pessoas permanecem online. Apenas 34,4% da população brasileira tem acesso à internet em suas residências e a maior parte pertence às classes A e B. Os computadores domésticos são cada vez mais comuns entre as pessoas da classe média, mas 30 milhões de pessoas ainda dependem de 100.000 estabelecimentos de rede de acesso local (LAN-Houses) para acessar a Internet no Brasil. Esses cybercafés formaram a espinha dorsal da revolução da Internet no país.

Melhorando o acesso

Os telecentros comunitários apoiados pelo governo constituem-se em outra opção para que as pessoas das classes média e baixa acessem os serviços digitais. Espalhados por todas as comunidades de baixa renda e rurais, os telecentros oferecem acesso gratuito à Internet de banda larga, workshops e cursos de computação. O primeiro deles foi criado em São Paulo, em 2001 e, em 2010, já havia mais de 5.400. De acordo com a RITS, uma organização da sociedade civil brasileira, os maiores usuários dos telecentros são jovens, que os utilizam para procurar empregos, jogar na Internet ou ampliar o conhecimento.

Apesar das empresas estatais e privadas trabalharem arduamente para fazer com que as pessoas fiquem online, muitos cidadãos de baixa renda dependem fortemente dos telefones celulares para acessarem a Internet. Existem mais telefones celulares do que pessoas no Brasil e um número crescente destes aparelhos já opera sobre a rede 3G. Isto não só permitiu aos brasileiros participar das mídias sociais, mas também abriu caminho para as iniciativas de saúde e bancárias, que estão melhorando a vida das comunidades familiarizadas com a tecnologia, menos favorecidas e isoladas.

Tanto é que a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Ministério da Saúde do Brasil, a Fundação das Nações Unidas e a Fundação Vodafone estão atualmente à procura de oportunidades para os programas de saúde móvel (mHealth) para fornecer às comunidades indígenas, que vivem em áreas remotas, informações básicas de saúde e apoio.

Serviços bancários online

O Internet Banking é outra área de desenvolvimento. De acordo com a McKinsey, apenas 47% da população brasileira utiliza os serviços financeiros, enquanto a penetração móvel é superior a 100%. O banco móvel é, portanto, uma maneira eficiente e fácil de levar os serviços bancários às pessoas que não têm acesso a essas operações. O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou em 2007 que suas operações bancárias móveis ultrapassariam as da Internet em 2012. Dados recentes confirmam essa previsão: Em 2011, 21% dos consumidores brasileiros utilizaram o banco móvel, o que significa um aumento de 11 pontos percentuais sobre o número de 2010, que foi 10%.

Uma iniciativa que aproveitou esse fenômeno foi a nova plataforma de processamento de pagamento móvel aberta da MasterCard - o MasterCard Mobile Payments Gateway - que foi implantada pela primeira vez no Brasil em dezembro de 2010. Fruto de uma joint venture com a Smart Hub, este sistema armazena as informações do titular Mastercard no cartão SIM do seu telefone celular, permitindo realizar pagamentos e transações.

Este foi um grande passo para ampliar o acesso aos serviços bancários nas regiões mais pobres do Brasil, cujos moradores tinham que viajar milhas para fazer depósitos ou compras seguras. O desenvolvimento dos serviços bancários sem agência, nos quais os agentes (membros certificados da comunidade que trabalham com os bancos e exercem funções específicas) podem realizar as transações bancárias para a comunidade, resultou em menos fraudes. Os usuários podem entregar o dinheiro para alguém de confiança, sem depender de um terceiro para realizar essa tarefa, beneficiando a economia local, já que os recursos permanecem na região, dando suporte aos empreendimentos da comunidade e melhorando a situação econômica dos moradores.

Linux, uma opção

Algumas comunidades estão direcionando sua atenção para as inovações em software, fazendo com que mais pessoas fiquem online. O software Userful MultiSeat Linux permite que um computador controle outros 10, exigindo menos energia para funcionar do que uma estação de trabalho padrão e custando menos de R$ 91 (US$ 50) por usuário. O Ministério da Educação do Brasil já implantou mais de 525 mil destas estações de trabalho, beneficiando 35 milhões de alunos. O sistema funciona da seguinte maneira: as escolas compram um computador e 10 monitores, cada um com periféricos e aplicativos individuais. Embora não tenha funções de alto desempenho, o sistema permite que os usuários naveguem na Internet e utilizem aplicativos simples, mais do que adequados para as comunidades em desenvolvimento, que têm infraestrutura mínima e acesso não-confiável à eletricidade.

Inovação em Entretenimento

A crescente sofisticação tecnológica no Brasil, juntamente com as limitações na conectividade e largura de banda, têm incentivado desenvolvimentos inovadores pelas empresas locais. A FunStation, uma empresa internacional com sede em São Paulo, oferece downloads de filmes, músicas e jogos até mesmo para aqueles que não possuem um computador ou têm uma conta bancária. Sua loja de download digital é compatível com 95% dos dispositivos móveis, desde pen-drives e telefones celulares a MP3.

Outro destaque é o Zeebo, criação de Reinaldo Normand, um console de jogos que se conecta à televisão e permite aos usuários acessar jogos e serviços educacionais na Internet usando a rede 3G. É uma maneira fácil de ficar online para o grande número de cidadãos da classe C que ainda não tem computador em casa.

Acompanhe todos os artigos do estudo aqui no JAG Brasil.

Conheça os canais no Facebook e no Twitter – Comente, interaja.

Visitas: 
1297
  • Comentar
  • Comentários [1]

Comentar

CAPTCHA
Esse desafio é para nos certificar que você é um visitante humano e serve para evitar que envios sejam realizados por scripts automatizados de SPAM.
CAPTCHA de imagem
Digite o texto exibido na imagem.

15.07.2013 | Mirian escreveu:

A internet vem ganhando cada vez mais destaque em nossas vidas e isso só tende a se intensificar com o tempo! É possível, inclusive tirar proveito financeiro da nossa navegação cotidiana! Eu, por exemplo, divulgo produtos pela internet e recebo uma excelente comissão de R$ 50,00 por cada venda feita por indicação minha! É um trabalho sério que exige compromisso e dedicação, mas que está ao alcance de todos nós! A internet é democrática! Confira no link ao lado e sucesso para todos nós! http://bit.ly/N7AJv5

Conteúdo relacionado


Dicas [0]

Sem resultados estão disponíveis com estes critérios.

Notícia [0]

Sem resultados estão disponíveis com estes critérios.

Foco [0]

Sem resultados estão disponíveis com estes critérios.


Se você não encontrara resposta que você está procurando...

Faça sua pergunta