A diferença está nos detalhes

os-mobile-ellis2.jpeg
Elis Monteiro
Poste: 
Jornalista especializadaem tecnologia e telecomunicações

Alguns anos atrás, a moda era ter um celular pequeno, tão minúsculo que cabia na palma da mão. Antes do quesito tamanho, as cores é que ditavam tendência – rosa, azul, vermelho, os modelos de celulares pareciam cada vez mais ousados. Agora, eles são todos iguais – ou parecem ser. Tijolões, com telas enormes e protegidas por camadas especiais, inquebráveis (!?); capazes de reproduzir vídeo em alta resolução; com câmeras digitais superpotentes e lentes especiais e que já chegaram aos 40 megapixels; têm acesso à internet com botões que levam direto às redes sociais; são MP3 players e rádio FM; têm mil e um joguinhos; trazem lojas nativas de aplicativos, expandindo absurdamente o número de opções presentes em suas áreas de trabalho. O que mais falta aparecer para que um telefone se diferencie do outro?

Em relação ao software, as diferenças ficam cada vez menores. Em se tratando de sistema operacional (OS), eles podem rodar Android (que nasceu com a chancela da Google e hoje lidera o mercado de forma inconteste), Windows Phone (caso dos novos Nokia, como o Lumia e sucessores), iOS (o sistema da Apple), BlackBerry (modelos da RIM) ou Symbian (aparelhos de entrada da Nokia). Isso agora, enquanto você lê a coluna, já que a coisa anda perigando para alguns sistemas e já se fala em concentração de mercado. Vai ser um tal de peixe grande comendo peixe pequeno (ou vice-versa) que ainda teremos muito que falar sobre o assunto.

Em se tratando de sistema operacional para dispositivos móveis, as estatísticas mostram um cenário cada vez mais embolado, com o Android dominando algo em torno de 53% do mercado de novos aparelhos nos Estados Unidos, seguido pelo iOS. Hoje, segundo o cocriador do Android, Andy Rubin, são realizadas nada menos que 300 mil ativações de Android por dia, ou seja, esse número todo de gente passa a adotar, num período de 24 horas, o SO criado pela Google e outras empresas membros do consórcio OHA (Open Handset Alliance). Só em 2011, 300 milhões de aparelhos em todo o mundo rodando Android foram ativados, o que deixa a Apple de Steve Jobs com as barbas de molho.

Usam o mesmo sistema operacional. Trazem as mesmas funções. Mesmo assim, os modelos podem ter diferenças relevantes. Quais? Uma lente melhor numa câmera com software mais potente, quem sabe. Ou uma tela capaz de perceber quando o dono do celular o está usando (olhando para ele) e, portanto, não apague durante a leitura de um texto. Sonho? Nada! Isso já existe e acabou de ser anunciado para o Samsung Galaxy SIII, que chega em breve ao mercado brasileiro. Trata-se de um diferencial e tanto para um modelo que precisa concorrer não só com iPhones e Nokias com Windows Phone mas principalmente com irmãos de sucesso, como foi o caso do Galaxy S I e do Samsung Galaxy SII. No terreno da segurança, uma tecnologia diferente que já está sendo implementada é a Facelock, que desbloqueia o celular quando o dono aproxima o rostinho da tela. Legal, né?

Os números não mentem: o Brasil fechou o mês de abril com 253 milhões de linhas ativas na telefonia móvel e teledensidade de 129 acessos por 100 habitantes. Como assim, há mais celulares do que gente? Sim, mas há quem ainda carregue mais de um aparelho e, sabemos bem, está fazendo o maior sucesso, entre os hard users de telefone (ligação de voz e SMS), a adoção de celulares com múltiplos chips. Ter mais de uma “linha” é, com certeza, um elemento a mais a ser considerado.

Pensando no consumidor, no entanto, há cuidados a serem tomados quando falamos do emergente mercado dos “MPx Múltiplos Chips”, mais conhecidos como “Xing Lings”. Nunca é demais lembrar: “não há almoço grátis”. Os aparelhos do tipo são baratos mesmo, principalmente porque 1) são de qualidade questionável; 2) são contrabandeados; 3) não são inspecionados; 4) não são homologados pela Anatel; 5) não têm garantia de confiança, adotando o esquema “la garantia soy yo”; 6) sua procedência pode ser de trabalho escravo ou outras violações de direitos humanos com as quais não podemos compactuar; 7) não pagam impostos e, portanto, não trazem nada de bom para a sociedade; 8) podem ser perigosos para a saúde, por todos os motivos expostos anteriormente; 9) as funções que dizem oferecer, como MP4, MP5 em diante, não funcionam de verdade ou funcionam mal e porcamente; 10) podem trazer dores de cabeça, como perdas de contatos, emails ou outros dados importantes.

A saída pode ser um bom aparelho com mais de um chip de proveniência conhecida, de marca famosa, a quem o consumidor possa recorrer em caso de problema. Podemos citar alguns: em maio agora, a Motorola lançou o Motokey 3-Chip, que, como o nome diz, aceita três SIMcards, ou seja, funciona como se você carregasse três aparelhos na bolsa, inclusive de três operadoras diferentes, aproveitando múltiplas ofertas, só que num equipamento só. O preço é bem convidativo: R$ 349, não deixando nada a dever para os Xing Lings à venda nas casas do ramo.

Outro da Motorola com mais de um chip é o MotoSmart (dual SIM, R$ 649). A Nokia tem o C2-00, que aceita dois chips e permite personalização de itens como toques e nomes dos SIMs. Preço: R$ 249. Da Samsung temos o Galaxy Y Duos S6102 (R$ 599); já a Alcatel oferece no Brasil o One Touch 678G (cerca de R$ 250). Todos os modelos trazem aplicações semelhantes às de quaisquer aparelhos convencionais, ou seja, o chip extra (ou os chips extras) surge como vantagem competitiva num mercado cada vez mais homogêneo.

Os dois chips (ou mais) trazem algumas vantagens para o usuário que vão além da comodidade de carregar menos trambolho na bolsa. A primeira é, claro, financeira: o indivíduo pode ser assinante de uma operadora e aproveitar as vantagens da concorrente; tirar partido das promoções “fale de graça com a mesma operadora” e ter um aparelho de cada uma. A segunda vantagem é a simplicidade de ter uma conta pessoal e uma profissional no mesmo aparelho, em linhas (e contas) separadas. Para ter acesso a cada uma, basta ao usuário trocar de “perfil” – dependendo do modelo, a alternância é feita via software ou através de botões laterais, caso dos modelos da Nokia.

Os SIMCards (SIM de Subscriber Identity Module), diga-se de passagem, têm funcionalidades variadas e o mercado para estes tem muito a crescer, enquanto seus tamanhos diminuem consideravelmente. A última mais fresquinha diz respeito ao desenvolvimento, por parte da Apple e de empresas parceiras, do NanoSIM, 40% mais compacto que o menor chip em funcionamento hoje nos telefones – da geração MicroSIMs, outra briga comprada pela Apple, que conseguiu que tal padrão, menor que o convencional, fosse adotado em aparelhos de marcas diversas, além dos iPhones.

O tamanho menor do chip abre espaço para outras aplicações, tais como bateria e outros itens utilizados nos corpos dos aparelhos. Ser menor, no entanto, não significa ser menos poderoso - os SIMcards atuais chegam a ter dezenas de gigabytes de capacidade de armazenamento – e não impede o casamento dos pequeninos com tecnologias inovadoras, como a NFC (Near-Field Communication), que permite transações financeiras móveis mais simples, troca de dados e conexões sem fio entre dispositivos próximos um ao outro. No final de 2011, a GSM Association, entidade que reúne fabricantes, desenvolvedores e empresas de software, anunciou, em Hong Kong, que 45 das maiores operadoras de telefonia móvel do mundo se comprometeram a implementar soluções e serviços baseados em um novo modelo de SIMCard integrado à tecnologia NFC.

A telefonia daqui pra frente apostará nos mínimos detalhes para fazer diferença – de coisas pequeninas do tamanho de um SIMCard – Micro ou Nano ou, quem sabe, quase invisível – a grandes telas capazes de rodar vídeos inteiros on demand. Crescem as telas, amplia-se a quantidade e a ousadia das aplicações possíveis e a interatividade e, por outro lado, diminui-se o espaço ocupado pelas commodities como chip, bateria, antena, memória e processador. É dessa forma que se desenha o futuro daquilo que pra nós, hoje, já é perfeito.

 

Biographie: 
Com a concentração dos sistemas operacionais, tecnologias diferentes ditarão nossas escolhas no futuro
  • Comentar
  • Comentários [1]

Comentar

08.12.2014 | KWs escreveu:

I know this if off topic but I'm looking into starting my own blog and was wondering what all is needed to get setup?
I'm assuming having a blog like yours would cost a pretty penny?

I'm not very internet smart so I'm not 100% sure. Any tips or advice would be greatly appreciated.
Appreciate it