Aplicativo é o que interessa

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Elis Monteiro
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Jornalista especializadaem tecnologia e telecomunicações

Quando Steve Jobs enfim descansou, depois de anos de luta contra o câncer, muito se comentou sobre sua influência direta na transformação de seis indústrias inteiras: cinema de animação, plataformas de publicação digital, música, computação pessoal, telefonia e tablets. Se dissecássemos cada uma dessas categorias, descobriríamos que, além da simplicidade e elegância com que a Apple tratava seus produtos, descobriríamos mais um motivo em comum em todas as revoluções: Jobs soube como transformar a experiência do usuário, seja com o software ou com o hardware e o entretenimento em geral. Foi esta descoberta que fez o mundo da tecnologia se render aos aplicativos, programas que radicalizam a forma como os usuários convivem com seus gadgets. Depois da chegada das aplicações às áreas de trabalho dos equipamentos, o usuário descobriu, enfim, para que servia um processador mais rápido, uma câmera mais potente, uma memória mais parruda.

O aplicativo é a cereja do bolo do equipamento digital, que teve as portas abertas para um novo universo de programas que chegaram às mãos dos usuários depois do advento de lojas como App Store (iPhone/iPad/iPod), Market (modelos com Android), OVI (Nokia), Blackberry App World e muitas outras. Não há como pensar em um iPad sem os seus devidos programas ou aplicações como livros digitais, jogos, utilitários, organizadores pessoais, redes sociais, apps informativos, noticiosos, feeds, wikis, revistas, calculadoras, medidores de calorias, espelho, sabres de luz, termômetros, programas de localização, é tanta coisa que apareceu que a gente nem tinha ideia de como vivia sem isso tudo.

Dos apps mais conhecidos sempre vale a pena mencionar o Instagram, programa que tira partido da mobilidade ligada ao conceito de redes sociais, relacionamento entre pessoas, câmeras de celulares, geolocalização e amor por fotografia. Criado pelo programador de software brasileiro Mike Krieger em parceria com o americano Kevin Systrom, o Instagram já conta com mais de 10 milhões de assinantes e já pode ser considerado uma febre – e lembra muito o fenômeno Fotolog, que mobilizou a comunidade de internautas brasileiros no início dos anos 2000.

Mas afinal, o que o Instagram tem de tão legal? Além do ar “retrô” que ele é capaz de emprestar às fotos, o aplicativo funciona como uma grande rede social de imagens e localização de amigos. Também acaba se tornando um mural de imagens e de relevância – há pessoas que se destacam na rede não só pelo intercâmbio de ideias mas pela qualidade das imagens que postam. Acaba se tornando também uma grande corrida de egos, mas sempre de forma lúdica.

O Instagram é um belo exemplo do que chega às mãos dos usuários de celulares quando estes têm exploradas suas funcionalidades principais. É como se de uma hora para outra os aparelhos começassem a mostrar a que vieram. Ganham vida, tornam-se não só aparelhos de comunicação, mas principalmente veículos de entretenimento. Foi-se o tempo em que os celulares eram usados para fazer e receber ligações! Até as mensagens de texto e multimídia, primeiras aplicações a chegarem aos celulares, têm ficado atrás diante da multiplicação dos aplicativos.

Os usuários de iPhone são os mais ávidos por aplicações que expandem as funções de fábrica dos celulares – baixam, em média, 48 aplicativos mensais, contra 35 de usuários de Android, 17 de Windows Phone e 15 de Blackberry. Apesar do avanço considerável do Android, o iPhone ainda tem um tempo a mais de vida no mercado, o que não significa que esse panorama não possa mudar. Outro dado interessante: usuários do Android gastam, em média, 56 minutos por dia usando seus aparelhos; deste total, 2/3 do tempo é gasto com aplicativos e 1/3 em navegação na Web.

Explicamos: como alertou recentemente o escritor Chris Anderson, editor da celebrada Revista Wired, os aplicativos estão tirando público da Web e transformando a maneira como usamos a internet. Web e aplicativos são formas diferentes de uso da rede mundial de computadores, e o crescimento exponencial do número de programas tem se mostrado uma verdadeira ameaça à World Wide Web, criação do mago Sir Tim Berners-Lee, considerada, com propriedade, a maior invenção do Século XX.

Os números do crescimento do uso de aplicativos são impressionantes: até julho deste ano, nada menos que 15 bilhões de downloads foram feitos na App Store, a loja de programas da Apple. A sorte é que 37% dos apps são gratuitos, mas muito se gasta com download de programas, o que só prova que quando o download faz sentido, o usuário paga por ele, sim. O Android corre ali, à espreita: até julho, de acordo com dados do Google, nada menos que 6 bilhões de programinhas foram baixados no Android Market (65% são gratuitos).

As redes sociais também têm público cativo no mundo dos aplicativos. Foursquare (que já tem mais de dez milhões de usuários), Twitter, Facebook, Linkedin, estão todos lá, com programas gratuitos sendo oferecidos que facilitam, e muito, o acesso às atualizações de status. Isso sem falar nos aplicativos criados para os filhotes dos usuários de smartphones. Para as mães babonas, há toda uma família de “Talking...” que fazem bichos, robôs, rappers, dinossauros falarem e interagirem ao toque dos pequenos. Um dos mais interessantes é o Talking Tom, um gato para lá de sem vergonha que faz a alegria da garotada. Filmes de animação de sucesso também ganham as telas dos aparelhos e a todo instante aparece uma versão free sendo oferecida – ganha o usuário, que recebe o aplicativo para brincar, e ganha a marca, que se aproxima mais e mais de seus consumidores.

Os aplicativos estão ameaçando não só a World Wide Web: as operadoras de telefonia celular já temem o uso de programas que permitem o envio de MMS (mensagens multimídia), SMS (mensagens de texto) e ligações por voz. Fazem parte do time programas como Whatsapp, PingChat!, GO SMS, Numbuzz, Viber e o inabalável Skype. Outro programa que vale a pena conhecer é o Tango, que permite o envio de mensagens de texto, MMS e ligações por voz e vídeo (funciona para Android e para iPhone).

Para quem vive conectado ao Twitter, os aplicativos que permitem o acesso direto (e o envio de fotos, vídeos, DMs) direto do aparelho multiplicam-se. Exemplos que valem a pena testar: Tweetdeck, Twitter for iPhone, Hootsuite e Echofon. As vantagens são muitas, e a principal é a rapidez com que se passa a twittar em qualquer ocasião – basta sacar o celular (ou o tablet) do bolso ou da bolsa e mandar os 140 caracteres para a rede.

Como não poderia deixar de ser, os aplicativos também atacam o universo dos livros – aqui, a experiência com a tela faz diferença. Os donos de iPads sabem como é melhor ler um livro ou uma revista usando o tablet quando comparado ao iPhone. Dos aplicativos mais legais para quem deseja ler, vale a pena conhecer o do Kindle (tem para iPhone também), o da Livraria Saraiva, o Audible, o iBook e o Nook. Mas basta uma busca simples dentro das lojas de programas para sacar que o caminho aqui é para lá de florido e tem tudo para se consolidar.

Para quem deseja ficar informado sobre as notícias, as revistas e jornais têm aplicativos redondinhos para a leitura, com configuração especial para as telas diferenciadas, assim como as rádios, que permitem que o usuário ouça a programação sem pagar pelo tráfego (aplicativos de TV digital também entram nesta lista). Quem é geek (um nerd amante de tecnologia) vai amar o aplicativo da Wired; já quem gosta de boa leitura de revista, a revista Alfa é uma boa pedida. Outra dica importante é o aplicativo de podcast do TED.com, conferência internacional que reúne palestrantes de todas as áreas do conhecimento, com apresentações imperdíveis para serem vistas e ouvidas.

Biographie: 
Jornalista super especializada em informática, novas mídias e telecomunicações, conectada em inovações e plugada em novidades.
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